Sobre a última cena, no anexo em que viveu Anne Frank.

Uma decisão pode não conter pensamento. O pensador precisaria, antes de tudo, sentir, sentir o sentimento.

Na última cena do filme Anne Frank produzido pela BBC, um comandante nazista surpreende os oito sobreviventes do anexo, que ali resistiram por dois anos. Trata -os como ratos, na vasculha por ouro, encontra uma mala com uma típica inscrição. Em letras douradas o nome de Otto Frank, anunciava que ele, pai de Anne, fora também soldado. Impactado o nazista indaga:

– Então você lutou na guerra?

– Sim. Lutei pela Alemanha!

Confrontado pela desconcertante informação de que aquele a quem tratava como um ser desprezível, era em verdade um compatriota, cujo amor pela nação alemã havia feito soldado em pregressa batalha. Isso desalinhou o comandante. Breves e eternos minutos. Quase, quase, alto-soldado tornou-se humano. Mas, não. O emocionar-se foi esmagado antes de nascer. O convicto oficial retornou à portentosa racionalidade. Orgulhoso de pertencer à categoria de humanos superiores, aqueles que não respiram dúvidas, ordenou :

-Vistam-se. Vocês têm cinco minutos para pegar seus pertences.

E assim enviou os pobres desafortunados à morte.

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