Havia um armário no apartamento de minha avó Hedy.
Prateleiras de mogno. Escuras.Gavetas miúdas. Puxadores de Andersen.
Um -a bailarina.
Outro – o soldadinho de chumbo. Amor impossível.
Jamais se beijariam -eu pensava.
Lá, Hedy acomodava uns pedacinhos de céu.
Um misterioso cheiro de rum, chocolate, uvas passas e amêndoas glaceadas.
Aroma desconcertante. Queria ter tido a ideia de guardar-lhe uma baforada num vidrinho com tampa de rolha (precisava ter sabido antes que o tempo mastigaria aquela preciosidade).O teria preservado na mais alta e segura cristaleira.
Quando então hoje eu lhe abrisse a rolha,
tudo em mim seria eu naquele ontem.
E(terno).

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