A experiência emocional ao iniciarmos a leitura de um romance não difere da experiência emocional vivida quando conhecemos uma pessoa. Se você não antecipar-se lendo sinopses prévias sobre o protagonista vai tendo a impressão de que há muitas situações desconhecidas, de que quando chegamos ali, tudo, muito, já acontecia há tempos. Muita história já havia nascido e morrido antes da nossa chegada. Há um vão. Lacunas de alheamento. Aos poucos, muito aos poucos, vamos nos enturmando com todo esse desconhecido. Alguns escritores são mestres nisso. Nas primeiras páginas você pensa em desistir. Você não é nada -, nada representa naquela história. Você fica convocado a uma insignificância. Os diálogos não são lá muito compreensíveis. Como na vida, resta suportar essa sensação inconsistente para, talvez, conhecer a história por dentro. Tornar-se parte.
Estou aqui com Graciliano, um dos mestres nessa arte.

Imagem: Artwork © Gerhard Richter. This article © galleryIntell

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