A menina torda – mergulheira e sua crença na eternidade

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No natal a neta realizava aquilo que o faz quem não sabe o que fazer. Como Alice que encontra no nosense o horizonte.

A menina ajuntava durante todo o ano as caixinhas vazias de remédios que a família descartava.

À aproximação natalina desenhava em folhas brancas toda a sorte de pictogramas do amor desesperado – uma overdose de corações.
A arte do grito do amor para além da voz.

Corações alados. Muitas margaridas – das flores as que mais compreendem as crianças.

Permanecia horas & horas & horas embrulhando os presentes nos papéis amolecidos na saliva da inocência.

Torda-mergulheira batizada nas águas atlânticas da eternidade-, a menina adormecia as dezenas de caixinhas ao pé da árvore, e aguardava que fossem acordadas pelo repicar dos sinos na noite de natal.

Naquela noite dormia leve sob a lua clara e alva.
Na brisa com alma-calma.
Livre dos diabretes do tempo.

Avó e avô viveriam para sempre. E assim foi.

Imagem: https://www.devonlive.com/whats-on/family-kids/classic-christmas-tale-little-match-889998

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