Fui convidada num desafio lúdico no face a apresentar dez obras de arte que me encantam.
Pensava sobre isso enquanto fazia uma pequena viagem de carro entre minha cidade e outra nas cercanias. Era uma tarde suave de sábado. Um céu apaixonado pelo azul me espiava. Repousei o olhar por entre as copas das paineiras, dos ipês, das quaresmeiras.
Foi quando me flagrei num desalinho. Não pensava mais sobre a arte realizada através das mãos humanas. Estava absorvida pela percepção de outra Magnum Opus.
A vida.

1- o céu da primavera naquela explosão de azul onde se avolumam as nuvens imponentes e
zombeteiras de nossa pequenez. Atrás delas estão Zeus e seus consanguíneos aos soluços refastelando-se em néctar e ambrósias.

2- os olhos da alma.
Àqueles livres das algemas da razão. Corajosos garimpeiros. Encontram as pepitas em meio ao lamaçal e ao suor de cada vida.

3 – a compaixão. Sublime. A obra do estender as mãos. As ligações.
Salva-vidas dos afogados nas ondas da desumanidade.

4- o sonho – o que respira no sono. Terra do nunca em que nossa pequena criança prossegue com seus pincéis pintando em aquarelas suas dores/ seus amores/ seu ontem/ seu hoje/ seu amanha.

5- a poesia.
Afrodite amante dos momentos, das brevidades, do fugaz. À volúpia dos abraços imortaliza o repente. Só ela é capaz dessa proeza.

6- a verdade ( não a moral e sim a essencial /emocional ).
Gota( por vezes de sabor amargo ), concentrado tratamento para os adoecimentos.

7- a linguagem. Do Homo Sapiens à Torre de Babel – ainda assim um acontecimento surpreendente.

8- o coração. Pulsante – um dos primeiros a ser esculpido .
O último a partir.
Tum, Tum, Tum- a intensa música da vida.

9- o mistério . Isso tão belo que nos acolhe no abraço misericordioso do infinito. A dádiva da compreensão do incompreensível.

10 – a arte . Sempre que esta for capaz de aquebrantar os engessamentos, as certezas asfixiantes – e assim expor na manjedoura os renascimentos à luz tremulante da esperança.

E porque faz sentido uma imagem que celebre a arte brindo o convite com uma cena antológica do mestre do cinema Yasujiro Ozu.
Nela a cumplicidade se põe defronte à beleza estonteante do horizonte inabitável.

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