A máxima de Freud. Escutamos melhor com o próprio inconsciente. Foi assim que reencontrei Kafka.

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Reli Metamorfose. A novela Kafkiana.
No entanto me dispus a cuidar melhor dessa viagem.
Regalar-me à sombra do jequitibá ao final de cada capítulo.
Não me fazer lebre e correr léguas.
Ficar e Sentir
Um diálogo íntimo entre o leitor e o autor. Um encontro vascularizado pelos seres de dentro .

Foi assim que a eterna / etérea menina hóspede em mim recebeu o parrudo e frágil Franz. O menino que vive em Kafka .
Tarde de enigmática festa.

Em cadeiras feitas pelo melhor carpinteiro dessas redondezas conversamos comprido .

(Recomendações a quem interessar: Mister Geppetto)

As ancas em madeira puída moviam-se afiançadas ao tronco.
Apiedaram-se.
Nos deram colo.

Balouçamos e fiamos às horas.

No regresso a palavra que me brotou foi assombro.
Creio que o acontecimento em que se viu arrolado G. Samsa foi espasmódico.
Aquebrantou -o do previsível,
do decoro de si,
do conhecido.
Fenômeno que nos aproxima da compreensão lírica em Rimbaud –
“o eu um outro em mim”.
Ou em Drumond – “ numa incerta hora fria perguntei ao fantasma que força nos prendia , ele a mim que presumo estar livre de tudo , eu a ele , todavia palpável na sombra que projeta sobre o meu ser inteiro …”
Essa é a fustigação interna que era desconhecida a Samsa, e também aos que o rodeavam.
Alcançamos Freud em seu sábio artigo – O estranho.
O vencedor é sempre o inconsciente.
Esse monumental inescrutável oceano arterial em que nosso solitário barco navega.

Havia algo em Gregor visceral, essencial, autóctone.

Esse indomável que rompe a castidade das aparências antes afetadas e viventes na tulhas das certezas.

Como o champagne que comemora a liberdade,
também o oculto chega à superfície.

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