{Ode ao maior dos espólios. Cuidar}

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À terra fustigada pelo desprezo
dos incautos

oferecer água benzida em ternura

À terra incompreendida
entre folhagens
ressequidas
de velhos outonos

oferecer num jarro de porcelana branca salpicado de florezinhas azuis e rosas
água nascida nos vales da efemeridade
Donde vem os beija-flores

À terra machucada
pelos golpes excruciantes da indiferença

oferecer mãos
suaves
esculpidas na fé

da enxada que aos golpes de paixão entrega-se ao torrão

das mãos que creem na velha Parquetina de Hesse &
enceram com vigor os tacos gastos de sapatos & esperas & despedidas

do cozer que crê na canja desfiada à mansarda do anoitecer
Generosa & Perfumada em hortelã vai fundo ao fundo
de um
estômago pedinte
Penitente
Há fome & Há frio

do cerzir que consueto se
devota as perduras
À camisa que não se quer dispensar & migra inseparável pela vida

do colo no ninar o bebê madrugada dentro enquanto o sonhos
avoam pela janela da sacada para o céu mudo da cidade que ressona

do plantio que
leva no alforje
a prole –
sementes
descendentes do casamento
entre gratidão & compaixão

Fé no Cuidar

Esse o
verbo
dos verbos

Do espólio divino
a mais rica das heranças

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