Literatura sobre pandemias

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Gosto muito das edições da saudosa Cosac&Naify.
Pela primeira vez não fiquei contente com uma de suas edições.
Por conta da pandemia fui ler um livro 📖 morador há muitos anos na minha casa, mas que eu sequer havia folheado. Decameron de Bocaccio .
Nada posso dizer do primor editorial. Um luxo. Todas as páginas com hieróglifos e outros mimos.
Acontece que Decameron é uma espécie de Mil e uma noites de Malba Tahan – contar histórias para se livrar do finamento.
Um grupo de jovens se afasta de Florença devastada e enlouquecida pela peste negra e se dirige ao campo fugindo 🏃‍♂️ da contaminação.
Lá estabelecem regras de conduta, entre elas a narração de histórias antes da ceia 🍷. Cada um dos participantes ficará responsável por uma noite ⭐️.
Os contos apresentam
a vida em sociedade e seus conflitos mundanos na Itália 🇮🇹 do século XIV. Uma enxurrada de falastrões, tramas ardilosas (envolvendo inclusive pontífices da igreja 💒), trapaças e vilanias.
Fiquei imaginando que não devia ser nada fácil viver por lá naquele outono da idade média. Era um olho no peixe 🐠 e o outro no gato 🐈.
Ao abrir o livro o prefácio trata logo de apresentar o decurso da vida e da literatura do autor. Em seguida você é arremessado no campo de papoulas brancas, violetas e lírios escutando histórias cheias de canastrices e pelejas individuais compartilhadas pelos amigos temerosos da morte.
A literatura é hors concours.
Porém senti muita falta da apresentação do próprio Giovanni sobre a atmosfera sombria e ameaçadora que cobria a Itália 🇮🇹.
Nessa edição a contextualização foi omitida , creio que por que o interesse era mostrar a literatura de Boccaccio e não a peste negra .
Procurei outras edições menos artísticas por certo , porém acompanhadas dessa introdução.
Achei a leitura mais encorpada,
com mais sentido, tanto por estar eu sedenta de compreender um período pandêmico, como por deixar ver com mais claridade sob qual clima brotavam tantas narrativas de superação e desatinos para tentar fugir de um malogro profetizado. Morte e anátema. A peste era vista como castigo.
Ao ter a visão do horror de que haviam corrido as moças e rapazes das novelas de Boccaccio percebi melhor por que como Xerazade precisavam contar, contar e contar histórias. Por muitas e muitas noites 🌘 . Até que a morte se esquecesse delas.
À vida.

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